Este ano, o super Festival SXSW, em Austin, onde a Media Shots tem também uma raiz, incluiu no seu programa nem mais nem menos do que 110 sessões que, de uma forma ou de outra, abordaram o poder das histórias digitais.
No entanto, numa destas sessões, quem brilhou não foram propriamente as histórias mas sim o palco mais largo onde elas nascem, fluem e ganham contexto e sentido: a narrativa.
Ela foi o ponto de partida para a apresentação de John Hagel, responsável pelo Center for the Edge da Deloitte, o departamento encarregue detetar e desenvolver oportunidades emergentes para os executivos seniores da empresa.
E para começar foi clarificada a distinção entre uma narrativa e as histórias propriamente ditas.
As histórias são “finitas”. Têm um começo, um meio e um final e são contadas na primeira pessoa. Não traduzem o ponto de vista dos outros.
Por seu lado uma narrativa constrói-se a partir de histórias e tem dois atributos que estas não possuem: “finais abertos” pois não terminaram ainda e também um convite para darmos o nosso contributo para aquilo que virá a ser esse “final”.
As narrativas são participativas e têm uma capacidade potencial para envolver uma audiência, muito maior do que qualquer história avulsa. Na história das nações, há inúmeros exemplos de narrativas pelas quais as pessoas deram as suas vidas, em nome de causas e princípios que uniram ou dividiram multidões.
Hagel argumenta que este poder é exclusivo das narrativas. As histórias não o possuem.Mas também nas organizações, hoje, este “poder” pode ter um novo papel a desempenhar. De forma generalizada procuram-se novas narrativas que aí ajudem a inverter o atual cenário de crise, sobrecarga de trabalho e insegurança generalizada.
Aqui por Lisboa, em cima da nossa mesa, vão tomando também forma alguns destes desenhos que irão ajudar a “dar corpo” a novas equipas resultantes de fusões, recolher a sabedoria de colaboradores mais velhos que a velocidade dos dias tende a deixar para trás, ou simplesmente a inverter cenários de falta de motivação e de sentido.



